A pira do adulto em criar memórias afetivas X O que as crianças realmente lembram?

Você já percebeu como alguns adultos estão obcecados em criar memórias afetivas para as crianças? Uma pressão constante para transformar tudo em um momento inesquecível e instagramavel, como se a infância precisasse ser um grande álbum – digital, diga-se de passagem – de recordações cinematográficas.

Acontece que a criança não se importa com a superprodução. Ela não está preocupada se a viagem foi perfeita, se a festa foi digna do Instagram ou se o passeio foi algo extraordinário. Ela se lembra do que sentiu ao seu lado. O que realmente marca a infância deles, e também deve ter marcado a sua, foram os dias comuns que, sem você perceber, são verdadeiros tesouros em sua memória. Aquele dia que você até suspira ao lembrar…

Seu filho vai lembrar daquela ida ao mercado em que vocês riram de alguma besteira, daquele dia que reuniu todos os amigos dele para uma pizza, o dia de praia que vocês brincaram de pegar jacaré, aquele café da manhã juntos, sem pressa. O banho demorado, cheio de espuma e brincadeiras. O toque no cabelo antes de dormir.

Nosso cérebro sempre criou memórias, mas a preocupação em fabricar memórias afetivas é recente e tirou a leveza daquilo que realmente importa.

Você não precisa criar momentos perfeitos – você precisa estar presente. Presente de verdade. A infância não é um evento, é um processo.

Então, ao invés de se preocupar tanto com a grandeza dos momentos, experimente estar inteiro (a) nos pequenos. São eles que fazem a diferença.

Foto de Joice Souza

Joice Souza

Advogada especialista em Direito de Família. Ajudo pessoas a atravessarem processos judiciais com clareza, equilíbrio emocional e maturidade. Combino o conhecimento jurídico com reflexões que promovem soluções mais humanas e eficazes aos conflitos familiares.

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